Hoje, 09 de Julho será a despedida oficial do estádio do Palmeiras, o famoso Palestra Itália.
Escrevo esse texto antes do jogo amistoso entre nosso time e o Boca Juniors da Argentina, sem saber o que houve, como foi o jogo, etc, etc.
Mas o que importa é o adeus à esse espaço, essa marca, a nossa “casa” palmeirense.
Meu caso de amor com o Palestra é antigo, vem do final dos anos 70 quando comecei a ir sozinho para os jogos, devia ter uns 14 anos.
Tive a sorte de ver grandes artistas da bola passarem pelo Jardim Suspenso, alguns medianos mas esforçados, outros raçudos e marcantes, outros que nem quero me lembrar e outros que…melhor fossem jardineiros ou coisa qualquer.
O Palestra ficava bem perto de minha casa nessa época, portanto dava pra ir à pé, sem grandes problemas.
Sofri, chorei, cantei e vibrei, amei e odiei, gritei até ficar sem voz, me diverti muto, tive medo, gargalhei, curti.
O Palestra foi como minha segunda casa, como um quintal, um parque de diversões, um divã, um local mágico e sagrado que me fez sentir tudo o que citei.
Pena que minha pequena Manoella não conseguiu conhecê-lo, nem poderei levá-la hoje por conta do trabalho. Ela é palmeirense de coração, apesar de nem entender isso tudo, essa loucura toda. Um dia ela vai entender com certeza.
Leão, Pedrinho, Leivinha, Ademir, César Maluco, Jorge Mendonça, Djalminha, Luisão, Evair, Edmundo, Pierre, Valdívia, Kléber, Jorginho, Zinho, Mazinho, Alex, César Sampaio, Éder, Batista, Mirandinha…e claro, São Marcos!
São muitas histórias, muita chuva, sol, frio e calor e jogos marcantes, tanto pela tristeza quanto pela alegria.
Para mim destaco 2 em especial: os 5 X 1 no Grêmio pela Libertadores em 95 se não me engano. Não nos classificamos, pois o jogo de ida foi 5 X 0 pra eles, mas a raça e fibra dos jogadores foi impressionante. E claro a final da Libertadores de 99 contra o Deportivo Cali, decisão nos pênaltis, meu Deus, que coisa. O Palestra era um caldeirão, uma energia só, uma loucura, parecia que seraimos campeões de qualquer jeito, na marra mesmo. E quase foi assim, que drama, que sufoco…Mas deu, na última cobrança deles que deu trave explodia um grito que até hoje se pode ouvir nas redondezas da Francisco Matarazzo, Turiassú, Pompéia, Sumaré…Campeão da Libertadores da América!
E quem melhor regeu a orquestra verde no gramado do Palestra? Apesar de grandes regências de Vanderlei Luxenburgo, para mim nosso grande maestro foi e sempre será o velho e bom Felipão, um monstro na lateral do campo.
E as músicas, os gritos, as torcidas organizadas, o show nas arquibancadas: faixas, bandeiras, balões, e muita coisa bacana. Fiz grandes amigos nos degraus e corredores, nos bastidores, vestiários e no próprio gramado.
Meu grande companheiro de Palestra foi sem dúvida meu saudoso irmão Marião. Fomos em muitos jogos juntos, para ter uma idéia levava o moleque já com uns 4 anos para curtir o Verdão, acho que por isso ele ficou tão fanático, tão apaixonado. Era um crítico ferrenho em seus últimos anos de vida e realizou um sonho meu e de minha família: trabalhou como repórter no Palestra. Lembro um jogo que ele estava trabalhando e eu na arquibancada vendo-o como repórter no gramado, quanto orgulho, quanta felicidade em ver aquela cena. Ele que começou pirralho indo torcer, estava lá, no templo, trabalhando ( e torcendo por dentro) junto aos seus ídolos. É como se o mundo que você vê passasse a ser parte de você mesmo, dentro de seu ser. Meio louco, mas legal, é por ai…
Tudo precisa se reciclar, se renovar e modernizar. O Palestra se vai, mas terá a Arena em seu lugar, que terá a mesma base, o mesmo local, a mesma magia da terra que abrigou nosso estádio por tantos anos. Toda a energia e amor de uma apaixonada e doente torcida para sempre estará por lá.
Parte de minha história foi escrita lá, grandes momentos de minha vida, lições pra lá de valiosas e o sentido de uma paixão. Respeito muito quem ama seu time, pois além de ser algo incondicional, é algo não linear, desarrumado, por vezes exagerado.
Eu amo o Palmeiras (culpa de minha tia Maria Célia), e o que ele me trouxe. O manto representa muito, mas o Palestra Itália muito mais pra mim.
Ciao Palestra, obrigado por tudo!!!!
9 09UTC julho 09UTC 2010 às 5:32 PM |
Poxa não sabia que estava acontecendo isso…
9 09UTC julho 09UTC 2010 às 6:35 PM |
Ruy, não conhecia sua paixão pelo Palestra. Bacana!! Curti também seu texto. Mas confeço que senti falta no seu blog de assuntos e críticas relacionadas ao futebol. Escreve algo do Timão poxa… elogios, óbvio! hahaa #FiKadica
Fabianna Ribeiro
10 10UTC julho 10UTC 2010 às 10:16 PM |
Ruyzão,
Temos que reconhecer: O “lobby” que a MCelia fez foi muito forte. Venceu sózinha a “ala” dos tricolores(seu pai, eu e Josman) e a do santista(Bob)
Aliás, nós quatro devemos ter uma parcela de “culpa” nesse seu amor palmeirense. Talvez por comodidade, a gente ia sempre no agora já saudoso Palestra, e levava você e Paulo . O Morumbi era longe….
Mas, Valeu
Niney
12 12UTC julho 12UTC 2010 às 8:16 PM |
Poxa Ruy , que emoçao senti ao ver meu nome na sua história. Chorei de felicidade! Realmente eu sentia um orgulho enorme por vcs terem esse amor pelo Palmeiras , aliás amor que passamos para a Manoella e agora para a Julia que tb sem entender nada já vibra com as cores do nosso time.Parabéns Ruy, vc soube passar mim o que é sentir amor por um time assim como meu pai me passou o amor pela nossa Pátria.
Nada mais justo que citar o nome do nosso querido Marinho, um dos maiores torcedores do nosso time. E foi embora morar com Deus mas com uma missão cumprida pois conseguiu aqui o que mais queria , trabalhar junto aos jogadores e torcedores. Beijos querido, continue escrevendo sobre tudo que sabe sobre nosso time.